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| BTS diz não ao Grammy e sim ao pop livre |
A música não faz política, mas ela é política. Não é de hoje que o mercado musical influencia questões sociais, financeiras e globais, mas só agora, em pleno 2026, debatemos isso a partir de uma ótica asiática. Quando o BTS, grupo sul-coreano de pop, nega submeter seu álbum ARIRANG ao GRAMMY de 2027, ele escancara como a indústria musical estadunidense quer continuar colonizando o poder social e aquisitivo do pop. Enquanto as grandes empresas do norte global se sentem colonizadoras da indústria da música, artistas como os do grupo BTS mostram que no sul global, o pop existe e é independente. Em terras que valorizam os números, quem tem mais dígitos ganha e manda. Nessa arena onde o GRAMMY volta e meia muda as regras e as cartas, só o BTS toma a decisão de mudar o jogo.
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| A resposta do BTS ao GRAMMY |
A produção musical da Ásia não é subordinada ao ocidente
A mensagem do ARIRANG parecia antecipar o que aconteceria em 29 de julho de 2026. O álbum que mais celebra as raízes da identidade do BTS é também a obra que mais denuncia como a produção musical é tratada pelo mercado e pela política global. Quando o GRAMMY cria a categoria "Melhor Performance de Música Pop Asiática" (Best Asian Pop Music Performance), ele normaliza uma segregação e exclusão, visto que o prêmio desenha uma tentativa de isolar o pop asiático (como K-pop, J-pop, C-pop, T-pop...) para evitar uma disputa direta com o pop estadunidense e britânico. Assim, a concorrência para as principais categorias (Álbum e Música do Ano) não teria esses artistas como favoritos, como aconteceu em 2026 com o cantor Bad Bunny que ao ganhar o prêmio de Álbum do Ano com o disco DeBÍ Tirar Más Fotos (no idioma espanhol) desbancou álbuns cantados em língua inglesa.
No discurso a inclusão, mas na prática a exclusão
A categoria "Melhor Música Latina" (Best Latin Song), criada para estrear na edição de 2027 do GRAMMY, soa para o público como uma resposta irônica à vitória de Bad Bunny na edição de 2026. Para evitar que o mesmo cenário ocorra com o BTS, as manobras por trás dessas mudanças são maquiadas de “inclusão”, mas na prática são 100% excludentes. Na categoria "Melhor Música Latina", por exemplo, o critério principal exclui o Brasil, visto que ele determina que a composição seja escrita, em sua maioria, no idioma espanhol (51% da letra), vetando canções majoritariamente em português. O mercado musical é um palco ciente do quanto de poder pode ser conquistado ou perdido, mas os grandes nomes da indústria dos EUA e do Reino Unido não querem correr o risco de perder para o mercado asiático.
Porque a música move a massa, e quem move o público move tudo
Enquanto as músicas digitais movimentam a economia das plataformas, as turnês em grandes estádios movimentam o faturamento do turismo estadual. As vendas de produtos licenciados, por exemplo, superam barreiras territoriais para agitar um fluxo financeiro entre países. Consciente dessa realidade, os maiores mercados musicais do mundo sabem que esse jogo vale muito. O relatório global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) mostra que potências como Estados Unidos, Japão, Reino Unido e China ocupam as primeiras posições dessa corrida lucrativa. Então seria ingênuo acreditar que tais mudanças no GRAMMY foram em nome de uma política que prega inclusão.
Quando o BTS diz não ao GRAMMY, o grupo está dizendo sim à própria independência e recusando qualquer nova tentativa de colonização cultural. A música move o público, e quem tem a massa para si não precisa pedir mais nada porque já tem tudo. O GRAMMY nunca representou o mundo por completo, então chegou a hora do outro lado do globo falar por conta própria, e para isso, eles não precisam de uma categoria ou de um troféu.
Todos os textos do blog aqueCida são criações autorais da atriz, comunicadora e escritora Cida Silva. O blog reúne artigos, reflexões e resenhas sobre literatura, cinema, séries, música e outras obras que inspiram, emocionam e provocam novas formas de olhar o mundo. Se você gosta de dramas asiáticos, livros, filmes, cultura e boas histórias, este é o seu lugar. Acompanhe o aqueCida também nas redes sociais.






















