Não é terapia, mas é terapêutico: Arte



Não falo dela como método clínico ou tratamento profissional, mas falo da arte como algo que nos reorganiza por dentro, que nos devolve fôlego quando o mundo retira o nosso. Ainda que os dias formem semanas, meses e anos, aquela música, série ou livro não deixa de ser nosso refúgio favorito. Mesmo já conhecendo a história, tendo decorado as reviravoltas, insistimos em revisitar o conforto que só essas páginas, tramas e refrões sabem como entregar. Neste artigo, compartilho as obras que seguem trazendo calor ao meu coração e mantendo minha esperança aqueCida.

Cartas a um jovem poeta, dicas de livro no blog aqueCida
Cartas a um jovem poeta, dica de livro no blog aqueCida


Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke


Esse é um livro que releio todo início ou meio de ano. As cartas de Rainer Maria Rilke me trazem de volta quando vou para bem longe de mim. Por mais perdida que eu me sinta, essas cartas funcionam como fósforo e reacendem aquele caminho apagado. Há um trecho que sempre me devolve ao eixo e deixa a direção mais nítida e minha:


Também a arte é apenas um modo de viver, e é possível se preparar para ela sem saber, vivendo de uma maneira ou de outra. Em tudo o que é real há mais proximidade dela do que nas falsas profissões semi-artísticas que, ao simular uma proximidade da arte, na prática negam e atacam a existência de qualquer arte.


Rilke me lembra que a arte não é um palco distante ou um pódio para alguns. Ela é uma forma de existência para todos que escolhem olhar e sentir o mundo por meio dela, por meio do que é profundo. E, quando tudo parece caótico demais e colorido de menos, as cartas do Rainer Maria Rilke me ensinam a voltar para dentro de mim e recuperar minhas cores reais.


Set Me Free Pt.2, do Jimin
(BTS)

Se Rilke me ensina a permanecer em mim, Jimin me ensina a romper e ir além do que sou agora. Um me ancora; o outro me empurra para frente. Pode passar décadas e séculos, mas Set Me Free Pt.2, do Jimin (BTS), idol de K-pop que tem Rainer Maria Rilke como inspiraçãonunca perderá sua força. Entendo essa canção como um grito melódico para minha versão pequena e jovem, aquela que se levantava para enfrentar a descrença do mundo e os muros dos mais diversos padrões. 

Saber para onde se quer ir sem esquecer de onde se veio é nossa forma de quebrar correntes e se libertar dos caminhos pré determinados por terceiros. Arte é o único tipo de grito capaz de balançar o mundo e romper qualquer limite estabelecido, independentemente do tempo, dos poderes e das fronteiras. Como a própria letra diz e avisa:


Eu me sinto deprimido
Ainda sou um labirinto
Mas não tenho tempo para quebrar a alma
Apenas deixe-me fluir
Ei, apenas saia do meu caminho
Cale a boca, vá... Estou a caminho


São obras como Set Me Free Pt.2, do Jimin, que me lembram que permanecer sensível também é uma forma de viver com fé, amor e coragem. Voltar a elas é como soprar brasa: o calor nunca foi embora porque sempre esteve aqui, apenas esperando ser reacendido outra vez. E é assim que sigo me mantendo aqueCida.


Um texto de Cida Silva criadora do blog aqueCida
#blogaquecida #aquecida

BOAS HISTÓRIAS PARA AQUECER SUA VIDA

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